Um ser que mora em mim
diz que já é o fim
daquela prezada flor,
me leva à meditação
pra aliviar o coração:
no fundo há a dor...
a vida flui, se esvai
a flor murcha e cai
para surgir novamente
o apego, machuca porém
é preciso ir além
soltar-se livre-mente
Outro ser, esperto
diz que há campo aberto
para um novo florir
e a mesma flor brotará
permitindo vivenciar
libertar-se, sorrir....
Então aos poucos aceito
e o que vier é perfeito
viverei com gratidão
com novo amor ou antigo
sempre correrei perigo
O que temer então?
segunda-feira, 4 de março de 2019
sábado, 2 de março de 2019
EN-LEIO
Ela me encanta
quando levanta
quando levanta
seu vestido
e fico despido
de qualquer proteção.
Que formas garbosas!
As pernas formosas
ao vivo, expostas
suscitam respostas
e não digo nada
nem falo nem grito,
me inquieto, me excito
porém me exercito
pra fazer de conta
que sou de outro planeta
e nada me afeta..
......................
em desassossego
brigo com o apego...
......................
em desassossego
brigo com o apego...
(MN)
domingo, 10 de fevereiro de 2019
GEORGE HAFSTAD PRODUZIU UM RELATO QUE MERECE SER PESQUISADO. ( Miguel Nenevé)
Quando estava fazendo meu pós-doutorado na York University,
em Toronto, no Canada, recebi da diretora da Biblioteca, Mrs. Hofman, um
documento sobre a Amazônia que pertencia ao seu pai. Esse documento, é na
realidade, um relato, que seu pai, médico, produziu durante o tempo em que
esteve aqui, como médico entomologista servindo os Estados Unidos, como “soldado
da borracha”. Vamos então ao contexto:O ataque Japonês a Pearl Harbour nos Estados Unidos em 1941
é um evento marcante na Segunda Guerra Mundial, como nos ensinam os livros de
Historia. O pesquisador Pedro Henrique Rodrigues, no seu texto “O ataque
japonês a Pearl Harbour” (acessível em
https://www.infoescola.com/segunda-guerra/ataque-japones-a-pearl-harbor/), afirma que o ataque “marcou definitivamente a
participação do Japão e dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Em 7 de
dezembro de 1941, no início da manhã os japoneses bombardearam a base norte
americana de Pearl Harbor, no Havaí.” Os
textos de historia nos informam que foi um acontecimento sangrento e violento,
ocasionando a morte de mais de dois mil americanos e mais de mil feridos, além
de navios destruídos.
Quem diria, no entanto, que este fato iria influenciar a
Amazônia, os seringueiros, o preço da borracha e os seringalistas? Sim, o fato
causou uma grande influência na Amazonia. Vejamos: após o Japão bombardear
Pearl Harbor e ocupar a maior parte do sudeste da Ásia, o presidente Franklin
Roosevelt recorreu ao Brasil e a outros países da América Latina América a fim de tomar medidas urgentes para aumentar a
produção de borracha natural para os Aliados . Era necessário produzir borracha
que naquele momento não poderia ser comprada da Malásia devido à escassez do produto
na América do Norte e Europa. As Plantações do Sudeste Asiático
responsáveis por mais de 90% de fornecimento de borracha para atender as
necessidades, vitais para a guerra moderna, não estavam mais acessíveis para os
aliados. Como diz a pesquisadora Xenia Yumovic Wilkinson (2009), em sua tese
de doutorado “TAPPING THE AMAZON FOR VICTORY:BRAZIL’S “BATTLE FOR RUBBER” OF
WORLD WAR II”,
Na ausência de
alternativas fontes de borracha, especialistas norte-americanos alertaram que o
sucesso da guerra Aliada esforço poderia depender da produtividade dos
seringueiros que extraíam o látex do seringueiras (principalmente Hevea
brasiliensis) em florestas tropicais da Amazônia. Com mais de 60 por cento da Bacia Amazônica dentro do
território nacional do Brasil, persuadindo os governo lançar uma campanha para
aumentar a produção de borracha na Amazônia que se tornava prioridade para os
Estados Unidos. (p. 13)[tradução minha]
Após o momento de oscilação entre apoiar a Alemanha ou os Estados Unidos para extrair o
máximo de benefícios econômicos de cada país, o governante brasileiro, Presidente Getúlio Vargas, convenceu-se em
1941 que os Aliados ganhariam a guerra. Vargas
embarcou em um programa de cooperação próxima, mas informal, com os
Estados para apoiar os Aliados e reduzir a influência da
Alemanha no Brasil. Na esteira do ataque a Pearl Harbor, o Brasil entrou em uma
aliança formal com os Estados Unidos sob os Acordos de Washington de março de
1942.
A aliança da Segunda Guerra Mundial entre o Brasil e os
Estados Unidos englobava ampla gama de cooperação militar, política e
econômica, desde a construção de uma cadeia
de bases aéreas norte-americanas ao longo da costa Nordeste para a produção
estratégica matérias-primas para os Aliados, o mais importante dos quais era a
borracha. Frank McCain, wm seu estudo da evolução da aliança de guerra entre o
Brasil e os Estados Unidos, A Aliança
Brasil-Estados Unidos 1937-1945 (Princeton: Princeton University Press, (1995)
argumenta que os interesses do Brasil na
negociação de uma aliança com os Estados Unidos foram três: obter financiamento dos Estados Unidos para a
nascente indústria siderúrgica do Brasil e outros projetos de desenvolvimento
industrial; reforçar a defesa das costas
brasileiras de ataques de submarinos alemães e proteger seu flanco sul de
potenciais ataques pela Argentina; e ganhar um papel de liderança nas
organizações internacionais do pós-guerra, incluindo um lugar permanente
cobiçado no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
McCain acredita que a
aliança deixou o Brasil mais dependente dos Estados Unidos. Amazônia, o local
onde o renascimento de uma indústria de borracha, um produto tirado da
selva, acontecia em tempo de guerra,
dependia de financiamento e preços garantidos da borracha do governo
norte-americano.
Nos termos dos Acordos, o Brasil lançou um programa de cinco
anos (1942-1947) para produção da seringa que era material estratégico para os Estados Unidos em sua luta contra
Alemanha. Assim, o presidente Vargas lançou a “Batalha pela
Borracha” anunciando seu plano de “alistar” e “mobilizar” milhares de “soldados
da borracha” para “Marchar” para as florestas tropicais da Amazônia e extrair a
borracha selvagem para apoiar os Aliados.
Neste contexto, da “Batalha pela Borracha”, participantes globais,
nacionais e regionais se cruzaram e interagiram com as sociedades locais no
ambiente único da Amazônia, criando novas dinâmicas que influenciaram o curso
do desenvolvimento da Amazônia por várias décadas. Por um breve, mas intenso período, seringueiros, assessores técnicos norte-americanos, a elite da
borracha da Amazônia (seringalistas), o governo de Getúlio Vargas e o governo americano
de Roosevelt ligaram-se em uma empresa
para acelerar a produção de borracha para apoiar a causa dos Aliados na Segunda Guerra.
É neste contexto histórico que entram os documentos de
Hafstad que mencionei no início. Os
relatos do americano George Hafstad , doados pela biblioteca da York University
, em Toronto Canadá, são o objeto de
nosso interesse, pois podem nos informar muito sobre o período na Amazônia.
O
entomologista deixou um relatório de suas atividades que acredito merecer nossa atenção. É de nosso interesse analisar a visão do médico americano sobre a Amazônia, seu discurso sobre
o outro, o seringueiro, o seringalista,
o amazônida e o brasileiro de um modo geral.
Os esforços em conjunto dos governos brasileiro e norte-americano para produzir seringa e dominar o comércio de borracha da região colaboraram para uma visão menos colonialista do americano em relação ao Brasil? O autor do relato se posiciona em algum momento sobre como seringueiros migrantes lutaram para se adaptar ao árduo trabalho em um ambiente desconhecido? Ou ele trata o brasileiro de um modo geral, desconsiderando a migração de vários nordestinos para o norte? Há alguma referência às sociedades indígenas fronteiriças? Este ambiente estranho para o americano não produziu estranheza para quem já vivia na Amazônia há muitos e muitos anos?
O que percebe-se de imediato é que sua missão era fazer com que "a produção de borracha" fosse mais efetiva. O fato de muitos seringueiros abandonarem suas atividades para se dedicarem a trabalhos menos árduos e mais lucrativos realmente preocupava o entomologista. Até ponto, no entanto, algo pode ser feito para beneficiar os seringueiros e fazer com que ele tivesse ânimo em trabalhar na seringa?
Os esforços em conjunto dos governos brasileiro e norte-americano para produzir seringa e dominar o comércio de borracha da região colaboraram para uma visão menos colonialista do americano em relação ao Brasil? O autor do relato se posiciona em algum momento sobre como seringueiros migrantes lutaram para se adaptar ao árduo trabalho em um ambiente desconhecido? Ou ele trata o brasileiro de um modo geral, desconsiderando a migração de vários nordestinos para o norte? Há alguma referência às sociedades indígenas fronteiriças? Este ambiente estranho para o americano não produziu estranheza para quem já vivia na Amazônia há muitos e muitos anos?
O que percebe-se de imediato é que sua missão era fazer com que "a produção de borracha" fosse mais efetiva. O fato de muitos seringueiros abandonarem suas atividades para se dedicarem a trabalhos menos árduos e mais lucrativos realmente preocupava o entomologista. Até ponto, no entanto, algo pode ser feito para beneficiar os seringueiros e fazer com que ele tivesse ânimo em trabalhar na seringa?
Estas são algumas perguntas dignas de serem investigadas.
Por isso, creio, não podemos perder a oportunidade de traduzir o documento , analisa-lo
e publicá-lo, como uma forma de socializar conhecimento sobre a Amazonia.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
2018 – O vagaroso caminho da “loneliness” para a “solitude.” (M. Nenevé)
“mesmo vivendo
assim não desisti de amar” (Belchior)
A língua inglesa tem duas palavras para falar de solidão : “loneliness”
é a dor de estar sozinho, o sofrimento
por não ter companhia que difere de “solitude” que significa estar só, mas estar
satisfeito por estar só, ou até sentir a glória ou a satisfação de estar consigo mesmo
e sentir-se bem. Mark Twain, o escritor americano autor de,
entre outros, As aventuras de Huckleberry
Finn, dizia que “A pior solidão é
quando você não está bem consigo mesmo.” É exatamente isso que quero dizer: há
um processo para se sair do estado em que não se está bem consigo estando só
para um estado em que se está só, mas se pode sentir-se bem consigo. E neste
caso não seria gostar de estar seguindo uma vertente egoísta, mas justamente o
contrário, sentir-se bem ao estar só por acreditar que há algo importante em si,
que há um ser brilhante dentro de si que pode ajudar outras pessoas. A solidão
no sentido de solitude pode proporcionar um estado anímico que resulta em
benefícios para si próprio e para outras pessoas com quem convivemos no dia a
dia. Descobrir dentro de nós mesmos estas coisas requer muita paciência, muito
silêncio, muita coragem de estar só. Uma longa peregrinação dentro de nós pode
conduzir a uma harmonia corpo, mente, alma que ajuda a entender as buscas da
vida.
O ano de 2018 foi
para mim o ano de experimentar este estado de estar só, ano de sofrer a solidão
e também, depois de alguma peregrinação, de “curtir” a solidão mais do que em
qualquer ano. Talvez possa dizer que foi um ano em que pude crescer com a
solidão, ano em que pude de certa forma ter mais intimidade com este estado de
isolamento, intimidade comigo mesmo, isto é, atingir certa solitude. Tudo vem
acontecendo com certa luta, com alguma resignação por haver a vontade de desenvolver
mais a capacidade de me sentir bem estando só. Tem havido tempo em que me sinto
mais apreensivo e às vezes quase revoltado, momentos que que tenho pensado que
melhor que ficar só é ter qualquer companhia, aceitar qualquer proposta para não
sentir falta de ninguém. Tem sido um processo longo e contínuo para acreditar
que estar só é necessário a fim de poder ser melhor companhia para quem quer que
seja. Muitas vezes me tem me visitado à memória os tempos em que morava em Tubarão,
SC. Tempo de estudante de Letras na UNISUL, em que passava os domingos em um
quarto de hotel, só, lendo, estudando,
interrompendo a tarde para ver um jogo no estádio Hercílio Luz. Tantos caminhos
sozinhos que preenchia com atividades para me permitir sonhar. Hoje a solidão é
diferente, mas de certa forma é alimentada com sonhos também. Maldizer a solidão
é que não maldigo, embora às vezes ainda queira fugir dela antes de me recompor
por completo. Na época de Tubarão, escrevi o poema “Domingo Triste” que, entre
outras coisas, dizia assim:
O casal de
namorados
que passa em minha frente
é triste
tudo é triste
porque estou triste.
Neste domingo
até a chuva que cai é
pálida e acanhada
Era realmente um estado de solidão que causava dor, que
causava ansiedade por uma companhia... Mas nem por isso deixei de escrever, de
estudar para me auto-afirmar. Uma solidão do tipo “loneliness”, que me fazia
sofrer. Depois daqueles tempos de Tubarão, parecia que era difícil ficar muito
só, até porque as convivências não permitiam isso...
Talvez eu possa dizer que o ano de 2018 foi quase uma volta
àquele tempo. Iniciei o ano e terminei o ano só, sem ter para quem voltar no
fim de um dia de trabalho... Voltar para ninguém, já dizia meu amigo, poeta e
cronista, Vítor Hugo Martins, pode ser dolorido. Bom é poder dizer, após um dia
de trabalho, que em vez de “voltar para ninguém” se está voltando para sim
mesmo.
Importante para mim poder reviver 2018 e dizer agora, no último dia do ano, que este, seguramente,
foi o ano em que muito vagarosamente, muito lentamente, fui transitando da
loneliness para a solitude... Processo de osmose, um caminho árduo... Quantas
vezes tive que lutar contra um outro eu para dizer que não me interessava mais
ficar junto por estar, que não desejava aceitar qualquer convite para
simplesmente não ficar sozinho...
Quantas vezes quase adentrei novamente num
falso caminho aparentemente salvador da solidão, mas que acabava mostrando
desesperança. Como o lobo da estepe de Herman Hesse parece que às vezes há dois
homens lutando dentro de mim e o caminho quase se perde, e tudo quase se perde,
aquela conquista de mim mesmo, aquele estado de me sentir bem comigo mesmo,
quase vai ao espaço em alguns momentos. Sem dúvida que tenho estado socialmente
ativo para participar de filmes, de teatro, de uma vida fora de casa em eventos
culturais ou acadêmicos. Mas o anseio por uma companhia ou uma companheira
logicamente não tem sido preenchido por isso. O anseio pode se transformar
então em dor.
Porém, minha leve
incursão na prática da yoga e na meditação budista vem abrindo meu coração e minha
mente para eu poder perceber que há um tesouro em mim mesmo, portanto um grande
valor em ficar só. Sim, é bom despertar para algo de doce, leve e luminoso na solidão (solitude, neste
caso). Agradeço muito por esta
oportunidade de poder abrir uma janela de onde se vê que estar realmente só com
pensamentos e sentimentos , pode proporcionar um crescimento no bem estar. Fui
aprendendo, estou aprendendo ainda, que a verdadeira solitude, a boa solidão,
ajuda-nos a refrescar nossa mente, nosso coração, e aí nos oferece a possibilidade
de tirar o melhor que uma mente relaxada e um coração aberto podem conseguir...
Solitude, poderíamos dizer é a solidão de alta qualidade, solidão que livra-nos
de estímulos externos prejudiciais à criatividade
e que nos impedem de abrir nosso coração. Parece que foi Thomas Edison que
disse que os melhores pensamentos surgem quando estamos realmente só e os
piores são os gerados em momentos tormentosos em multidão.
Agradeço, por isso, ao CEBB pela oportunidade
dos estudos e da pratica da Yoga. Todos os seres se beneficiam quando estamos
bem conosco mesmos. Textos budistas também me sugeriram que a gente descobre na
solidão valores que temos e valores que devemos cultivar, desenvolver: a Paz de
espirito, o estar por completo (“Onde estiver, estiver esteja por completo” a
mensagem que recebi.). Isso não significa, porém, que a gente não busque mais a
companhia ou o ato de partilhar... Aliás,
a partilha fica melhor quando descobrimos os valores que temos e queremos
trocar com outros.
Algumas leituras neste campo de pensamentos também me
encorajaram a perceber o benefício da solidão, de estar bem comigo e iniciar um
relacionamento somente quando estiver totalmente bem com minha solidão.
Assim,
a busca por uma companhia ou por uma
companheira não seria, ou não será para fugir da solidão, mas sim, para
partilhar um mundo melhor, para beneficiar alguém e ser beneficiado com sua
companhia...Poder oferecer algo, poder suavizar uma dor, poder encorajar
alguém em seu caminho duvidoso só é possível quando nos conhecemos, quando
reconhecemos que podemos ser luz para alguém. Isso promove um refúgio em nós
mesmos e ao mesmo tempo a abertura para ajudar outros traz conforto para o
espírito.
Quero continuar 2019 com a intenção de procurar dentro de
mim mesmo um lugar onde possa viver momentos de solitude, de sentir me bem, um
lugar onde eu possa me RENOVAR, onde a estação da primavera ofereça novas flores,
novos perfumes, novas cores, crenças e criações. Assim haverá possibilidade de
beneficiar outros seres
quinta-feira, 13 de dezembro de 2018
Procura-se cura
Fique até amanhã
"Bleib bei mir bis morgen", diz a cançao.
E eu grito atrás.
Blei bei mir bis morgen,
Durma nos meus braços ,
como por muitos anos fez.
Espante o vazio desta casa
arrume um jeito talvez
de tocar minha alma
de amenizar a saudade
e raspar a felicidade
......com olhos fechados...
Não quero ouvir
"it´s over now..."
mesmo com tropeços
pode haver para nós...
um novo começo...
um novo "para sempre"
mesmo que termine
por favor , me ensine
a curtir esta ausência..
bleib bei mir bis morgen
sexta-feira, 30 de novembro de 2018
wordless poem
A borboleta
não precisou de palavras
para escrever um poema
tão elegante!
e eu aqui , pensante
ainda rabisco
e arrisco
escrever
descrever
o instante.
Por
que
não
ser
simples
como
a bor
boleta
e
bor
bo-le
trar
e
mer
gulhar
no
poema
como
na água
a descer
a cacho-
eira
num
dia
qualquer
ou
em noite
de es-
trela?
não precisou de palavras
para escrever um poema
tão elegante!
e eu aqui , pensante
ainda rabisco
e arrisco
escrever
descrever
o instante.
Por
que
não
ser
simples
como
a bor
boleta
e
bor
bo-le
trar
e
mer
gulhar
no
poema
como
na água
a descer
a cacho-
eira
num
dia
qualquer
ou
em noite
de es-
trela?
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