Por Maíra Maia **
Joseph Campbell fala que se você pode ver o seu caminho indicado na sua frente, passo a passo, certamente não é o seu caminho.
Mas então por que insistimos? Talvez porque o caminho já esteja ali aberto, diante de você, parece não oferecer nenhum perigo, nenhuma incerteza. E aquele que trilhou esse caminho está feliz, garantiu que são esses os passos que levam direto para tal felicidade. Então você segue, mas conforme vai avançando sente um desconforto. É como uma farpa que parece nem estar ali, mas dependendo de onde você toca traz o incômodo. Você ignora, foca no fim da jornada, lá provavelmente terá um X no chão e o seu tesouro. E com essa ideia você se enche de esperança e continua. Num dado momento você se sente enganado, o caminho parece não dar em lugar nenhum, você se sente cansado, confuso. Então ouve falar de um outro caminho. Assim vai seguindo por vários caminhos que não são o seu. Tudo é tão pesado, sem sentido, não há mais força. Você cai e dessa vez não resiste à queda, você se rende e se pergunta: E SE EU TENTASSE O MEU?!?
Você inicia seu caminho, mas sente um cansaço além do normal, de alguma forma, que não é capaz de explicar, sabe o que é preciso fazer. Há que aprender a deixar situações e pessoas irem, você não pode carregar todo esse peso com você. Há que aprender a deixar-se ir, dar adeus a pessoas, planos. Acontece que você não conhece outra forma de viver que não seja controlando, se apegando, se prendendo, interpretando. Você se perdeu nessas máscaras, roteiros, caminhos alheios. Ei, você esqueceu quem é você! Mas você sabe quem não é, você não é
essas identidades, você não é essas personas. Ei , desperte!!!Você é o que é. E simplesmente precisa ser. Apenas permita-se ser.
Conforme você vai dando seus passos, deixa para trás os EUs que havia aceitado como sendo você, ainda que saiba que nada disso é você, doí largar, mas ´tá tudo bem que você sinta medo, ´tá tudo bem que precise de umas pausas para se restabelecer, ´tá tudo bem que você derrame umas lágrimas. ´tá tudo bem que você resista e não queira largar algumas identidades. Tá tudo bem que você caia, sinta-se confuso, não saiba onde vai dar o próximo passo e se angustie. Tá tudo bem que você se sinta sozinho. Tá tudo bem que você não confie e queira desistir desse seu caminho e voltar. É hora de trabalhar a fé, a confiança, porque você sabe que não há nada lá atrás, o que há é o agora, você escolheu um caminho sem volta. Mas você sabe que não importa a confusão mental, a incompreensão, os inúmeros tombos, você vai sempre levantar e seguir, porque há uma canção ai dentro, que te conforta, te anima, faz você sentir, ainda que por um átimo perdido em um milésimo de segundo, quem você é, e o que veio fazer aqui.
Já faz algum tempo que você se sente tão bem no seu caminho, ‘ta tudo tão confortável, em paz. Então você pensa: acho que posso saltar uns degraus, acho que já posso alçar voos mais altos. você se lança...e, por mais inacreditável que pareça, você cai. E você não entende o motivo disso acontecer. Para você não faz nenhum sentido. É como uma peça de um quebra-cabeça alheio que veio parar em meio ao seu. É como uma grande piada do universo, em que você é o único que não está a rir. Pode ser que você tenha que aprender a pedir, aprender a aceitar ajuda. você se dá conta de que ser forte ou fraco não tem nada a ver com o conceito que estava no dicionário da vida que você leu. Percebe que engolir o choro desde criança não te fez mais forte, que cair não te tornou mais fraco. Que pedir ajuda não é sinônimo de fraqueza, assim como esconder suas dores, até mesmo de si não te dá uma super força. É. você percebe que vai ter que revisar algumas lições, que pensava já ter aprendido, mas só que não.
Você nota que esse seu caminho, de dentro para fora, não é medido em quilômetros, tempo, então não precisa atropelar seus próprios passos, a medida usada nesse seu caminho, são as aprendizagens e os ensinamentos. Apenas tenha calma, paciência. Ainda são seus passos iniciais. Você é como uma criança. Aquela criança que ao se sentir contrariada, esperneia, cai em prantos, cansa de chorar e adormece, logo depois, acorda renovada, cheia de energia, sorrindo, sem nem lembrar o motivo de tanto pranto, de tanto sofrimento. Acredite! você nunca está sozinho, é que quando você se abandona costuma se sentir assim, mas essas que aí estão, são as pessoas certas para o seu caminho, nem boas, nem más, você quem está dando máscaras a elas. Essa pessoa, assim como você, é o que é, pode levar um tempo, mas compreenderá. Assim como já compreende que nessa vida nada é seguro, nada é permanente. Que por várias vezes terá que se desfazer, se reconstruir. Que você está nesse processo de dar-se conta de si. Você não esta mudando, mas sim relembrando quem é. Respira! Não deixe a mente te arrastar. Esteja presente. Você está no local e com as pessoas que deveria estar. E como sabemos disso? Simplesmente porque você está aqui e não em um outro lugar.
Maíra Maia ; )
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
domingo, 25 de novembro de 2018
borboleta Azul
Miguel Nenevé – num domingo
à pessoa que acolhe a borboleta que nela habita.
Era uma
borboleta
Nem branca
nem preta
Mas azul
cintilante
Junto à
cachoeira
Dançava
faceira
Viva e
vibrante
O inseto
brilhante
Num voo
rasante
Risca a
corrente
Desce ao
fundo
Visita outro
mundo
Tão
diferente.
Borboleta ,
me diga
Se é minha
amiga
os segredos da água|
Me fale também
no mundo do
alem
há dores e
mágoas.?
Borboleta
animada
como se nada
em uma
cascata?
Como
mergulhar
voltando a
voar
livre na
mata?
Sobre a essência
e a impermanência
quanta
reflexão!
o voar e o
nadar
sorrir,
bubuiar
com gratidão.!
Oh Papillon,
da cor da leveza
de certa incerteza
me deu uma lição:
de encanto e beleza
de Deus natureza...
de fé e afeição
==================================================================
Asas para voAR
Asas para voAR
Asas não se partiram
Mas partiram para o alto
Para o longe
em combinação
Com o coração
Com a liberdade do AR
De simplesmente VOAR
A borboleta auzl
Sabe ser bela
Entre o céu e o chão
Borboleta de luz
Na sua mansidão
Respingou no ambiente
De desapego,
De desprendimento
De flutuar
No seu momento...
Leve, solta
Ao sabor do vento...
Borboleta tão breve
Passou e deixou
Um toque de elegância
Um sopro de fé
ar de fragrância
.................
Papillon, passou
Frágil, ligeira
Lépida, faceira
Convidou-me a amar
A vida por inteira
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Domingo, 11 de novembro.
Domingo, 11 de novembro.
quarta-feira, 19 de setembro de 2018
International Women´s Day - Let us celebrate - "Nós, Mulheres" by Rose Siepamann
International women´s day:
let us celebrate not only the power, but, yes the beauty of women. We also celebrate “l´ecriture feminine.”
Dia Internacional da mulher: vamos celebrar nao somente o poder, mas, sim, a beleza da mulher. Vamos celebrar também lécriture feminine. Este é uma crônica da Rose Siepamann apropriada para este dia
Nós, mulheres
Rose Siepamann
“To comprehend a nectar/ Requires the sorest need." (Emily Dickinson)
Relendo um jornal antigo que encontrei enquanto fazia faxina em uma das gavetas da cômoda, notei surpresa que a autora era a consagrada Isabel Allende. O jornal é “POPULAR Newspaper” edição do dia 21 de Abril de 2010 que é vendido
Quem já é mãe ou mulher já sabe que a autora tem toda razão. Usando a linha de raciocino ainda de Allende: Nos mães não somos mulheres abnegadas amantes do sacrifício, guerreiras sempre. Nos mães choramos abraçadas a almofada quando ninguém esta por perto pra nos ver, pedimos peridural na hora do parto para amenizar a dor, detestamos ter que colocar o despertador as duas da manha pra buscar o filho na festa. Não gostamos quando a professora baixa a nota dos nossos rebentos só porque ele(a) não sabe onde fica o Aconcagua, afinal a quem isso importa? Mas, não podemos dizer nada!!!
Não é que adoramos ficar horas na cozinha pra preparar um peixe que não tenha cheiro de peixe e dissimulando os legumes e as verduras pra que nossos filhos comam e cresçam como deve ser.
Não é que nos preocupemos se estão na chuva ou não, é que não queremos que adoeçam. Não é que los amamos mais quando se banham... é que não queremos que os outros os chamem de “sujinhos” .
Mãe não tem a ver com fraldas, gravidez e sorriso de aspirante. Tem a ver com Querer a Alguém mais do que a nos mesmas. É fazer qualquer coisa para evitar que vocês filhos (as) sofram... nada, nunca, jamais.
Quando chegam correndo porque se machucaram o pezinho, permitindo que nos demos consolo, quando nos fazem um elogio, nos fazem melhores.
Ate passamos a cantar as canções da Xuxa ou ouvir rock em alto volume mesmo que estes estilos passam longe do nosso gosto musical. Estudamos a tabuada repassando umas 500 vezes para que aprendam, vamos ao futebol, as festinhas de crianças, ao bale, ao teatrinho da escola, ao medico, ao dentista, comprar calcas, uniformes, mochilas, borrachas coloridas e jogos de “play station”.
A cada manha lavamos o rosto ou saímos do banho com um sorriso de orelha a orelha para fazê-los saber que a vida é boa, mesmo que as coisas estejam indo de mal a pior.
Buscamos outro trabalho, compramos livros, estudamos, vamos ao psiquiatra, ao pediatra, negociamos com os credores e com os professores, ajudamos no dever de casa. Embelezamo-nos, nos irritamos, rimos, choramos de bruxas nos convertemos em fadas, somente para vê-los felizes. Ve-los felizes nos faz felizes. Que bom seria se pudéssemos em apenas um estalar de dedos fazer com que o mundo fosse melhor!
Obrigada filhos por nos fazerem tão importantes.
Obrigada pelos abraços e beijos, pelos dentes de leite, pelos cartões e cartinhas com desenhos dependurados na geladeira. Pelas muitas noites sem dormir, pelos boletins, pelas plantas quebradas no jardim durante os jogos de bola, pelo meu estojo de maquiagem arruinado, pelas fotos das festinhas de São João.
Tudo isso são nossas medalhas! Obrigada pelo teu amor. E é isso que nos faz grandes,
segunda-feira, 17 de setembro de 2018
O anjo declarou
O Anjo Miguel,
meu amigo do além
falou-me em segredo
que o amor já vem
E aguardo confiante
esta grata promessa
que venha o amor
que chegue, que cresça.
domingo, 16 de setembro de 2018
Nada é em vão
As palavras que cantei
os poemas que recitei
não foram em vão
mesmo não sendo ouvidos
por quem me inspirou..
Pus a alma em cada sentença
empenhei-me em cada gesto
senti o sabor do que pronunciei
em cada silaba que sussurrei
em cada movimento
da mente
senti o alimento
para continuar a viver
com sonhos e esperança.
Ela não ouve, recusa
mas é ainda é minha musa.
o que se fala do coração
não pode ser em vão..
os poemas que recitei
não foram em vão
mesmo não sendo ouvidos
por quem me inspirou..
Pus a alma em cada sentença
empenhei-me em cada gesto
senti o sabor do que pronunciei
em cada silaba que sussurrei
em cada movimento
da mente
senti o alimento
para continuar a viver
com sonhos e esperança.
Ela não ouve, recusa
mas é ainda é minha musa.
o que se fala do coração
não pode ser em vão..
a coroíra deixou um ninho
A coroíra
Passeriforme
Passeou pela meu caminho..
Voou...e deixou um ninho.
Ainda cuido com carinho..
Não o destruirei
Se ela não voltar
(o amor não cabe?)
Que se acabe
Sozinho
Natural-mente
Devagarinho....
segunda-feira, 13 de agosto de 2018
AS CIGARRAS NO PARQUE
Enquanto praticávamos Yoga no Parque em um domingo de manhã ouvia as cigarras soltarem todo o ar dos pulmões praticando seu OHM com uma força que se fazia ouvir em todo o ambiente. Aquele som da cigarra para mim agora significa algo muito mais positivo do que há muitos e muitos anos (na realidade 38 anos atrás) quando este mesmo canto de cigarra soava, lânguido, tristonho e macambúzio em Jaraguá do Sul, na época em que estava no Noviciado. Aquelas tardes calorentas naquela estação do ano traziam um sentimento de inesperança, de não ter certeza sobre o que viria pela frente, que batalha enfrentaria. No meu íntimo eu já sabia talvez que não queria ficar lá, que não era para ser um padre, mas queria aguentar para poder iniciar a Filosofia em Brusque. Tempos passados que as cigarras do parque me trouxeram para o presente num domingo de manhã, no "Parque Circuito" de Porto Velho. A história da cigarra e da formiga em que a formiga era a heroina e a cigarra a bandida também me vinha à mente. Na infância, quando a professora do primário contava a história, eu achava que aquele canto era realmente um canto que desagradava, algo que poderia, sim gerar a punição. Um canto de uma cigarra vagabunda em face a uma formiga laboriosa.
Agora, porém, ali no "Parque Circuito", praticando exercícios com um grupo de pessoas próximas, a cigarra era tão companheira, tão animal-quase-humano, participando de nossa prática, de nosso esforço para conjuminar com a natureza..
O inseto cantante ficava nos lembrando da senciência não-humana. de como os não humanos podem também sentir, experimentar dor e alegria...Depois me veio a pergunta: estariam as cigarras sentindo dor ao emitirem seu ohm? Ou estariam somente querendo nos inspirar para um OHM mais perfeito, mais alongado, mais vibrante e mais em contato com a natureza. No meu caso, foi , sim, uma inspiração para pensar neste mundo das cigarras e para me sentir mais como vivemos em harmonia com a natureza e como o canto da cigarra, pode ser uma nobre orquestra sinfônica.
Se por acaso cantarem inspiradas pela dor, seria a dor do fim de suas vidas por isso um canto tão estridente, uma voz tão "gritante" ? ( Sabemos que há cigarras que atingem 120 decibéis com seu canto estridente). Estariam lamentando sua chegada à fase adulta que é bastante curta, poucas semanas apenas?
.Talvez não possa ser tristeza pela chegada dos últimos dias,pois terminado este ciclo, recomeçam....As cigarras retornam todo o verão, elas re-vivem. e aqui outra lição: aprendemos a aceitar as estações, a viver felizes na impermanência, cientes que nada perdura, que tudo caminha, que as estações servem para revigorarmos...e vivermos sem muito apego.
Agora, porém, ali no "Parque Circuito", praticando exercícios com um grupo de pessoas próximas, a cigarra era tão companheira, tão animal-quase-humano, participando de nossa prática, de nosso esforço para conjuminar com a natureza..
O inseto cantante ficava nos lembrando da senciência não-humana. de como os não humanos podem também sentir, experimentar dor e alegria...Depois me veio a pergunta: estariam as cigarras sentindo dor ao emitirem seu ohm? Ou estariam somente querendo nos inspirar para um OHM mais perfeito, mais alongado, mais vibrante e mais em contato com a natureza. No meu caso, foi , sim, uma inspiração para pensar neste mundo das cigarras e para me sentir mais como vivemos em harmonia com a natureza e como o canto da cigarra, pode ser uma nobre orquestra sinfônica.
Se por acaso cantarem inspiradas pela dor, seria a dor do fim de suas vidas por isso um canto tão estridente, uma voz tão "gritante" ? ( Sabemos que há cigarras que atingem 120 decibéis com seu canto estridente). Estariam lamentando sua chegada à fase adulta que é bastante curta, poucas semanas apenas?
.Talvez não possa ser tristeza pela chegada dos últimos dias,pois terminado este ciclo, recomeçam....As cigarras retornam todo o verão, elas re-vivem. e aqui outra lição: aprendemos a aceitar as estações, a viver felizes na impermanência, cientes que nada perdura, que tudo caminha, que as estações servem para revigorarmos...e vivermos sem muito apego.
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